Enviar por email Enviar por email Imprimir o Artigo Imprimir o Artigo

Bate bola com o Árbitro Geral da FTMERJ Antônio Fernando Orlando

8 de Janeiro de 2009 – 12:13 pm

orlando.JPG

Quando se trata de arbitragem de Tênis de Mesa no Rio de Janeiro, Antonio Fernando Orlando é o grande nome. Fernando é um árbitro reconhecido e respeitado nacional e internacionalmente tendo participado de várias competições em vários países e também pela sua grande seriedade e competência.
Aqui Fernando conta um pouco mais de sua história e também comenta sobre o esporte no Estado.

FTMERJ - Fernando, conte como a sua história no Tênis de Mesa começou?

Minha história no Tênis de Mesa começou quando conheci, no Clube Internacional de Regatas, um atleta mirim do Clube Monte Sinai chamado Marcos Alexandre Amaral. Foi ele quem me informou existir uma Federação e uma Confederação de Tênis de Mesa no Rio de Janeiro e no Brasil, respectivamente, fato que eu desconhecia por completo, até os meus 31 anos de idade, pois nunca havia ouvido falar em tais entidades no Brasil. Foi ele, Marcos Alexandre, quem conseguiu convites para que eu, no ano de 1984, pudesse assistir ao I Mundialito de Tênis de Mesa realizado no Brasil (Maracanãzinho, Rio de Janeiro). Na oportunidade, ao ver os atuais campeão e vice-campeão mundiais (ambos chineses, cujos nomes, infelizmente, não me recordo) e, sobretudo, presenciar as fantásticas exibições do francês Jacques Secretin, dentre diversos outros atletas de renome presentes ao evento, eu pude me dar conta de que não sabia nada do esporte que eu pensava dominar, já que, desde 1962, quando comecei a dar minhas raquetadas na Associação Cristã de Moços – ACM, era praticamente imbatível. Mal sabia, então, que eu não passava de um bom ping-pongueiro!!!

FTMERJ - E como você chegou a arbitragem? Quais os certificados mais importantes que conseguiu e que países você conheceu com o Tênis de Mesa?

Acabei me interessando pela arbitragem pelo fato de que, no final dos anos 80, nos eventos da Federação do Rio de Janeiro, não havia diretor-técnico. Por tal motivo, não havia a publicação dos resultados finais de cada torneio, não existia ranking ou qualquer outro tipo de registro do que houvesse acontecido nos campeonatos. Como eu era, na oportunidade, dirigente do Clube Internacional de Regatas (pelo qual também competia como atleta), tinha a obrigação de relatar ao meu clube as posições finais obtidas por mim e por meus colegas nos torneios. Cobrei tal tipo de informação ao então presidente da federação, Roberto Antello: ele me disse, na ocasião, que ninguém queria fazer este tipo de serviço (tabelas, súmulas, relatórios, rankings, etc). Ofereci-me, voluntária e gratuitamente, para realizar tais tarefas: fui encaminhado ao então secretário-geral da CBTM, Gilson Bôscoli (um excelente mestre), que em duas aulas me ensinou a fazer este tipo de serviço. Logo em seguida, interessei-me igualmente pela arbitragem na mesa de jogo (ligada diretamente ao trabalho na mesa de controle geral) ao conhecer meu outro grande mestre, José Augusto Santos Nurck. Ambos, Bôscoli e Nurck, são os responsáveis por muito do que aprendi sobre organização de eventos e arbitragem de Tênis de Mesa.
Os certificados mais importantes que tenho são os de árbitro internacional concedido pela ITTF, em 1992, e o de árbitro internacional concedido pela União Latino-Americana de Tênis de Mesa. Possuo, também, o diploma do curso de Organização de Eventos que fiz no ano de 2000, ministrado pelo Comitê Olímpico Internacional – COI, no Rio de Janeiro (auditório da Escola Naval), cujos professores foram os organizadores da Olimpíada de Barcelona. Os países que conheci através das viagens que fiz por causa do Tênis de Mesa (chefiando delegações do Brasil ou representando o nosso país em reuniões internacionais), além de viajar por quase todo o nosso imenso território, foram os seguintes: Japão, Curaçao, Venezuela, Chile, Canadá, Rússia, Alemanha, Portugal e Dinamarca

FTMERJ - Como Árbitro Geral de Competições você é o responsável pela organização dos torneios. Como você vê o nível do Rio de Janeiro atualmente?

O fato de ter viajado muito e visto o nível de organização dos eventos no exterior, notadamente os da Ásia e da Europa, me fazem, por enquanto, entender que temos muito, mas muito mesmo, que evoluir, principalmente no aspecto cultural que abrange o esporte como um todo no Brasil, já que em nosso país tal atividade é considerada, ainda, mais como lazer, ao passo que nos centros mais avançados qualquer esporte é considerado elemento fundamental na formação social e cultural do povo, fator que o transforma em uma verdadeira indústria geradora de renda e de saúde.

FTMERJ - 2008 foi um ano de transição, de troca na presidência da FTMERJ. O que você acha que mudou e o que você espera para 2009 no que diz respeito ao número de participantes, clubes e crescimento?

No ano de 2008 já se pôde notar a evolução na quantidade de eventos e no número de participantes. Ambos, entretanto, continuam, muito baixos. Precisamos de divulgação maciça para informar ao maior número de pessoas possível que o Tênis de Mesa existe e que é um esporte de fácil adoção em termos de estrutura financeira e de espaço físico. Precisamos que a mídia local (e a brasileira, como um todo) passe a divulgar mais outros esportes, além do futebol e do volley.
Meu grande sonho é poder ver no Brasil (se possível no Rio de Janeiro) o que vi em uma pequena cidade da Alemanha no ano de 1996, por ocasião do jogo entre Alemanha e França, pela Liga das Nações Européias: no dia anterior ao jogo, filas enormes para a compra de ingresso antecipado; e, no dia seguinte, um grande ginásio literalmente abarrotado (apesar da transmissão ao vivo pela televisão) por um enorme público absolutamente apaixonado pelo Tênis de Mesa, que assistiu a um jogo magnífico e que aplaudiu e ovacionou de forma calorosa e extremamente educada a derrota da sua seleção, pois a França venceu o confronto por 4×3. Sentado na tribuna especial, vestindo terno e gravata (traje obrigatório para um dirigente naquele país), ao final do jogo cumprimentei, do meu lado esquerdo, o presidente da União Européia de Tênis de Mesa e, à minha direita, o presidente da Federação Alemã, que estava completamente sorridente e feliz (apesar da derrota do seu país). Ele, então, me fez a pergunta que eu jamais esqueci: “E aí, Mr. Orlando, no Brasil também é assim???” Com lágrimas nos olhos, motivadas pela evidente constatação do abismo cultural, educacional, financeiro e técnico que separava (e ainda separa) o Brasil da Alemanha no Tênis de Mesa, tive que responder: “Não é não, senhor presidente, não é não!!!”


A.F. Orlando


A FTMERJ agradece e deseja um excelente 2009 para o grande árbitro.


Reportagem: André Moreira
Publicação: Ibsen Maciel
Supervisão: Fabio Nakasato