Bate bola com Cláudio Beznos.

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Nunca se é tarde para recomeçar. Pode ser uma frase bastante clichê mas, para Cláudio Beznos, é uma lição de vida. Destaque do mês da FTMERJ de Maio, Cláudio Beznos conta um pouco de sua própria história e do tênis de mesa no Rio de Janeiro.

FTMERJ – Como começou a sua trajetória no tênis de mesa ?

Cláudio Beznos – Joguei um ano no Monte Sinai, porém quando o tênis de mesa acabou lá fui por alguns anos para o Municipal (que é bem próximo da minha casa) com o seu Gilson, depois voltei pro Monte Sinai, e nos últimos anos da minha “carreira” fui ganhar alguns títulos pelo Fluminense.Fui cria do Gilson Boscoli, que valorizava muito a defesa e o jogo cerebral.

FTMERJ – Como eram o tênis de mesa e os jogadores naquela época ?

Cláudio Beznos – Nos anos 80 o Municipal acabou com o Tenis de Mesa, aí o Monte Sinai fez num galpão abandonado um salão com 4 mesas lindo, com arquibancada, projeto do seu Gilson. Veio todo mundo do Municipal pro Monte Sinai. Foi a época q eu mais treinei na vida. Tinha o Gilmar Aleixo, o Ademir,etc. Mas logo depois o Municipal chamou o Gilson de volta, e ele foi. Resolvi ficar no Monte Sinai e contratamos o Zé Maria para ser o técnico. Daí resolvi mudar de estilo. Conversei com o Zé Maria sobre isso, eu precisava ser mais ofensivo no jogo…Com o meu estilo de jogo eu conseguia ganhar de qualquer jogador no Rio, mas quando eu jogava com os paulistas não tinha muito sucesso.

FTMERJ – E qual foi o resultado desse treinamento ?

Cláudio Beznos – Mesmo estando com menos tempo para treinar por causa da faculdade, ainda consegui vitórias expressivas em torneios abertos como sobre o Fumihiro (seleção brasileira na década de 80). Ele jogava bem mas não gostava muito do meu jogo. Outra vitória foi sobre o Issamo Kawai. Ele era da seleção brasileira também.
Ele ficava atacando e eu defendendo, atacando e eu defendendo, até ele cansar ou desistir (risos) !

FTMERJ – Quais foram seus principais títulos até hoje ?

Cláudio Beznos – Fui campeão da 1a. divisão várias vezes. Naquela época os melhores do Rio iam embora cedo e o nível não era muito forte. O Ricardo “Cebola” Lopes, Aristides, Gilmar, todos os bons jogadores iam embora, o que me desestimulou muito, pois eu não tinha com quem treinar ou jogar. Isso me atrapalhava muito quando eu ia jogar fora do Rio de Janeiro.

FTMERJ – Como era composta a sua equipe ?

Cláudio Beznos – Eu jogava com Jayme Waimberg e Luis Carlos Palatnik, que foram os meus primeiros técnicos no Monte Sinai, mas jogavam pelo Municipal. Ambos foram grandes jogadores e, nesta época, estavam em final de carreira. Eram aproximadamente 15 anos mais velhos que eu.
Marcelo Leitão, Raimundo Mario Júnior, Rubinho, Marcelo Correia, Cebolinha, Zenando, Ademir Monteiro também são meus contemporâneos. Um pouco mais tarde apareceu o José “Borél” Martins, mas eu já estava parando de jogar nessa época.

FTMERJ – Como foi o seu retorno ao tênis de mesa ? Sentiu muita diferença ?

Cláudio Beznos – Engraçado, depois que eu voltei a jogar tenho a sensação de ter reaprendido a jogar, e de uma maneira um pouco diferente da que eu jogava, tive uma evolução de quem estava aprendendo a jogar do zero. Assim, reaprendendo os movimentos, reaprendendo a sacar, repensando estratégias de jogo. E observando muito vários bons jogadores do Fluminense, um pouco cada um, pegando para mim o que eu poderia absorver para o meu jogo, além de jogadores profissionais.
Na minha época ver um jogo desses era dificílimo, graças à internet hoje em dia é possível.
E aí uma coisa mágica começou a acontecer. Pouco a pouco os meus golpes foram melhorando, eu fui emagrecendo (perdi mais de 10 quilos)
E quanto mais leve eu ficava mais fácil jogar ficava. Isso me estimulou cada vez mais. Além da mais maravilhosa coisa de todas: tentar mostrar para o meu filho (Davi Beznos, que hoje é atleta do Fluminense da categoria Pré-Mirim) que eu tinha realmente sido campeão de Tênis de Mesa. Nos primeiros campeonatos, eu fracasssei, pensei em não mais competir, pois o pessoal antigo quando me viu no Marina no meu primeiro torneio, já começou a falar: vamos ver como esse cara está…
Isso gerou uma cobrança interna minha muito grande ! E nos 3 primeiros torneios os meus resultados foram péssimos. Mas graças ao estímulo de alguns grandes amigos do Fluminense que pude fazer nesta volta ao esporte, assim como o do Cebola (hoje técnico), e apesar de ter escutado coisas do tipo “O que que esse cara pretende conseguir jogando no Adulto ???”, consegui mostrar que é possível nesse esporte maravilhoso pelo qual eu me reapaixonei, que é possível mesmo numa idade mais avançada jogar em alto nível e competir com os melhores da sua região.

FTMERJ – Existe alguma mensagem final que você queira transmitir aos atletas que possam vir a ler esta reportagem ?

Cláudio Beznos – Acho que essa história pode inspirar outros a voltar pro tênis de mesa, ou a ensinar alguma coisa pra garotada. Seria muito bom se outros jogadores do passado que pararam voltassem a treinar e competir. Além do mais o esporte é um meio de se fazer novas e grandes amizades como as que eu já fiz.


Reportagem: André Moreira
Supervisão: Fabio Nakasato
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